talvez minha vida seja assim

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11.9.08

Jack Johnson

Você já ouviu falar de Jack Johnson?

Não, não o cantor homônimo de surf music. Falo aqui do Jack Johnson boxeador, o primeiro negro a conquistar o título de campeão mundial peso-pesado. E que conquista!

Na época em que Johnson começou a lutar, por volta de 1902, sua ascensão foi meteórica. Johnson só não concorreu ao título mundial em 1903 porque era negro - e naquela época, nos Estados Unidos, os negros não eram considerados dignos de lutarem na arena dos pesos-pesados. Ele, contudo, conseguiu lutar contra um antigo campeão do mundo, e o derrotou em 1907.

A partir daí, muitos clamavam pelo surgimento de uma Grande Esperança Branca que pudesse vencer Jack Johnson. Ele era retratado como um macaco, e suas técnicas de luta eram julgadas como ardilosas e covardes. Para efeito de comparação, o campeão Jim Corbett, de algumas décadas anteriores, usava a mesma tática e era tido como "o homem mais inteligente do boxe" (como citado por Ken Burns em sua biografia de Johnson).

Jack Johnson acabou concorrendo ao título em 1910, contra o campeão James J. Jeffries, que afirmou só estar lutando para provar que "um homem branco é melhor que um preto". Johnson recebeu bilhetes da Ku Klux Klan ordenando que perdesse a luta, ou morreria depois. Ele não perdeu.

No dia após a "luta do século", como ela foi conhecida, aconteceram várias festividades e protestos nas ruas das grandes cidades por todos os Estados Unidos. Muitos protestos eram apenas negros comemorando. Em alguns lugares eles foram pacíficos, em outros não. No total, 23 negros e 2 brancos morreram nesses protestos, e centenas ficaram feridos.

Johnson perdeu sua primeira luta em 1915, para um outro boxeador que usava técnicas parecidas com as dele.


Miles Davis, um dos mais influentes jazzistas do mundo, gravou em 1970 a trilha sonora a um documentário sobre o boxeador. O álbum, chamado Tribute do Jack Johnson, é um maravilhoso exemplo de jazz misturado ao rock. Ao final do disco, o ator Brock Peters fala uma das frases mais tocantes da história do jazz: "Eu sou Jack Johnson - campeão mundial dos pesos-pesados. Eu sou negro! Eles nunca me deixam esquecer isso. Eu sou negro sim; eu nunca os deixarei esquecer isso!"

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22.8.07

Coisas que a gente ouve

Uma grande amiga minha, ontem, me pedindo conselhos sobre ações não muito corretas, mandou esta:

"Antes de me julgar, lembra que você come mulher! E faz orgias. E gosta!"

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8.7.07

O discurso de Ren Volpe

Desculpas a quem não fala inglês, em breve devo traduzir esse belíssimo texto. Publico ele aqui hoje em comemoração ao aniversário de 1 ano de namoro meu e de Violeta. Tem discurso mais inspirador?



xxx



Speech To San Francisco's Fourth Annual Dyke March
by Ren Volpe
Lesbian Activist


Welcome to San Francisco's Fourth Annual Dyke March! Are you psyched to be here? Do you know how fabulous you all look from up here? You women are fucking beautiful!


Tonight, together all 30,000 of us are creating change just by being here. Tonight, we can't be ignored. Tonight, we are definitely not invisible!

But the Dyke March is about way more than just dyke visibility. Look around you. Look at the woman in front of you. Look at the woman behind you. Go ahead, look at her. At this moment we are a vision of what community could look like. We are all here! Tonight, the streets belong to us. For this one night we can make our voices heard! For this one night we are thirty thousand strong and we have the power. We are a force to be reckoned with! How does it feel?

Women, we can have this every day! We can create this kind of strength, solidarity and sisterhood every single day of the year! What would it take to unleash our power?

There are a million ways to make change. There are a million ways to unleash our dyke power. Tonight, we want all of you to make noise and take up lots of space! We want you to take your shirts off, stop traffic and dance in the streets!

And tomorrow, and the next day, and the day after that, we gotta keep this energy going. There are a million ways to unleash our dyke power.

What can we do?
We can eat more pussy!
Eat more ice cream!
We can organize!
We can get angry!
We can demand respect!
Don't take shit from men!
Remember Lorena Bobbit!


There are a million ways
to make change!
We can confront racism every time!
We can run for office!
We can create better sex toys!
Can we please manufacture affordable tampons?


What can we do?
Kill Jenny Craig!
Love your body! Love her body!
Hell, love my body!
Demand universal health care!
Seduce a straight woman!
Help a mother!
Come out to your mother!
Act up fight back fight AIDS!


Be political in any way you can!
Listen to Jocelyn Elders, masturbate!
Know who your congresspeople are
and who they are taking money from!
Be nice to your ex-girlfriend!
We live in California, speak Spanish!


How can we unleash our dyke power?
Show more cleavage!
Take to the streets
Raise money, raise hell!
Out a cop!
Speak up!
Listen to youth!
Fight for education, not prisons
Tell the truth about incest
Learn self-defense!
Have good sex!


Make your voice heard!
A community is created by what it stands for!
Support immigrant rights!
Defend an abortion clinic
Have more good sex! Read dyke books!
Fight to keep affirmative action!
Vote NO on the phony California Civil Rights Initiative!


There are as many ways to fight oppression as there are women here
tonight!
Volunteer for a dyke organization!
Support women artists!
Demand a raise! Pay women what we're worth!
Take your power back!
Take your panties off!
Fuck shit up!


How can we unleash our dyke power?


Keep the momentum going so we are never invisible again. No retreat, we won't go back! We won't overturn affirmative action and we won't go back in the closet! We won't stop fighting for our rights.

Have a great march! We'll see you again next year, and until then, do whatever it is you can to make a difference in your communities. Thank you for coming and may all your orgasms be multiple.

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2.7.07

A visão masculina

Foi apenas há pouco tempo que eu percebi que todos os nossos pensadores - poetas, artistas, escritores, filósofos, músicos, cientistas, políticos - enfim, todas as pessoas que criam o nosso mundo, que dão nomes e teorias para aquilo que todo mundo vê, são homens.

E no pensamento masculino, na maneira de moldar o mundo a partir dos olhos deles, que papel cabe às mulheres? Como nós somos vistas?

Abaixo, um poema de Mario Quintana.



Da amizade entre mulheres

Dizem-se amigas... Beijam-se... Mas qual!
Haverá quem nisso creia?
Salvo se uma das duas, por sinal,
For muito velha, ou muito feia...



O que o poema quer dizer? Que mulheres não são amigas - e daí subentende-se que somos falsas, traiçoeiras, invejosas, fofoqueiras... Só podemos ser amigas de quem nos é inferior no campo da beleza (só exisitiria amizade entre duas mulheres se uma delas "for muito velha, ou muito feia") . Será que isso é verdade?

Para mim, este é um exemplo claro de como somos contaminadas pela visão de mundo masculina, de como nos deixamos levar pelos códigos e regras deles. Mulheres realmente são fofoqueiras? Nós somos incapazes de ter amizades sinceras, que vão além da competição pela beleza? Nós somos vaidosas e levianas?

O quanto nós vemos o mundo pelos nossos olhos, e quanto nós vemos pelas lentes distorcidas da visão masculina?

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29.6.07

Múmia Transexual

Arqueologistas identificaram a múmia de uma mulher obesa como sendo a da grande rainha Hatsepsut. É a maior descoberta arqueológica desde que a tumba de Tutancamon foi achada em 1922.

Até aqui, nada de novo, não fosse o fato de que Hatsepsut, que reinou no Egito antigo por 20 anos no século XV A.C., se vestia como homem e usava uma barba postiça. Construtora de obras monumentais, ela foi mais poderosa do que as outras duas rainhas mais conhecidas: Cleopatra e Nefertiti. Na verdade, Hatsepsut foi a única mulher a receber o título de Faraó e as outras foram coroadas como rainhas.

Após sua morte, todas as pistas sobre sua existência desapareceram misteriosamente, inclusive sua múmia. Somente em 1903 seu corpo mumificado foi encontrado no Vale dos Reis. Por décadas, a múmia foi tida como insignificante e deixada na tumba em Luxor.

A procura pela múmia do Faraó-Mulher ganhou força quando o chefe de uma equipe de arqueólogos, Zahi Hawass, reiniciou as buscas e o Discovery Channel doou 5 milhões de dólares ao governo egípcio para realização de testes de DNA em múmias.Dois meses atrás, a múmia insignificante de uma mulher obesa foi trazida de Luxor, onde jazia, para o Museu do Cairo para testes de DNA. Hawass começou a desconfiar que aquela múmia era importante ao observar a posição do braço esquerdo sobre o peito, um sinal tradicional da realeza do Egito antigo. Através de comparações com o DNA da múmia de sua avó, que já havia sido previamente identificada, os cientistas concluíram que aquela era a múmia da grande Hatsepsut.

"Estamos 100% certos.", disse Hawass, que concluiu afirmando que a múmia sugere que a mulher era obesa e, provavelmente, era diabética e teve cãncer, vindo a falecer aos 50 anos de idade.

Acredita-se que Hatsepsut subiu ao trono depois de ludibriar seu enteado, Thutmose III, que mandou apagar o nome da Faraó de todos os monumentos após sua morte. Hatsepsut foi a mulher que mais tempo governou o Egito antigo dentre todas as rainhas. Trouxe enorme prosperidade ao país e lançou campanhas militares em terras distantes como o Rio Eufrates, atual Iraque.

Tutancamon, o Faraó-Menino, guardou em seu túmulo um esplendoroso tesouro de ouro maciço que virou símbolo da riqueza do Egito antigo, porém, as construções de Hatsepsut, a Faraó-Transexual, é um legado ainda maior.


(texto de Associated Press. Tradução: Vlamir Marx)

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26.6.07

Tratar mulheres como mulheres

Tem coisas que me dão um ódio profundo.

Ontem eu estava em um bar com vários amigos homens. Numa certa hora, uma mulher de outra mesa - típica "loira gostosona" - pediu um isqueiro. A reação automática de um dos caras da minha mesa foi qual? Olhar com cara de tesão e falar "pega o que você quiser..."

Puta que pariu! Só eu que me revolto com isso?

Eu não to num bar pra ser cantada por macho. Eu não vou pra um bar pra me invadirem dessa maneira, nem uso uma saia curta (por exemplo) para meterem a mão em mim. Não, eu não estou pedindo por nada disso.

Será que é tão difícil entender que tratar as mulheres como PESSOAS é infinitamente melhor do que nos tratar como MULHERES?

(Cada vez mais eu me convenço que o cavalheirismo, também, é uma forma de machismo - só que o outro lado da moeda.)

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25.6.07

De volta!

Vamos voltar à internet?

Minha propaganda: aí vai o link de um texto que eu escrevi para o E-Jovem. Em breve, estaremos inaugurando o blog do E-Brasilia!

http://www.e-jovem.com/lilicas01.html#discreta

(Sim, eu já publiquei isso aqui, mas é tão mais chique em um site!)

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7.2.07

Desânimo

Estou num desânimo muito grande. A vida tá bem, eu tenho afazares, to ganhando dinheiro... mas sei lá, não to feliz. Sabe o que é o mais engraçado? Eu sinto falta da internet. Preciso de internet em casa, me sinto sozinha, alienada, emburrecendo sem ela. Sou um ratinho de fóruns de feminismo no Orkut, estava aprendendo um monte por lá, e puf!, vieram férias forçadas.
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Não adianta. Minha vida social e mental está na internet, me sinto sem projetos estando sem ela, mesmo quando tenho projetos de vida real. Enfim, eu gosto mesmo é dos projetos virtuais.
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Nada de posts sérios por hoje, só o desabafo de alguém viciada num computadorzinho conectado.

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23.1.07

Mais notícias da vida nova

E tudo continua indo muito bem. Já temos fogão (e gás! aliás, tivemos toda a sorte do mundo com um cara muito bacana que se ofereceu pra carregar um botijão de 13kgs escada acima... ai, nessas horas até dá alívio de ser uma menininha indefesa e fraca), temos promessas de geladeira e até microondas. Enquanto isso, nos viramos sem maiores problemas com um frigobar emprestado pela minha mãe. Quanto à TV, vivemos de DVD, já que estamos sem antena - e sem TV a cabo. A pior parte é também a mais óbvia devido a falta de atualizações constantes desse blog: estamos ainda sem computador, e portanto sem internet. Bolotas.
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As famílias andam tranqüilas. O lado da Violeta não surtou, o que me espantou, já que eles são super próximos. Na verdade, eu to esperando o surto até agora. Já o meu lado, que eu achei que não fosse ligar muito para a mudança porque eu sempre fui "muito independente", como diria minha mãe, reagiu de maneira oposta. A semana da mudança em si foi estressante e cansativa, e a gente nem colocou nada aqui de tão esgotadas que ficamos. Resumindo: minha mãe decidiu fazer tudo por nós. Parece cômodo, mas não foi tão legal assim - ela me ligou numa manhã quando eu estava na casa da Violeta e disse "olha, não vai dar pra vocês dormirem aqui essa noite porque o marceneiro já desmontou o armário e a cama". Ahn? Marceneiro?, que marceneiro? Chegando mais tarde na minha (ex) casa, encontrei todos os meus livros, CDs, DVDs e bugingangas empacotados. Imaginem muita raiva e invasão: foi como eu me senti.
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Passado tudo isso, estamos eu e Violeta em lua-de-mel. Minha mãe me liga todo dia para contar as novidades (nossa, minha mãe tem novidades! como assim?), a gente almoça de vez em quando em uma casa ou outra, assiste DVD do House (o seriado que a Violeta me viciou, assim, sem escrúpulos), faz pão de queijo, briga com os gatos (aliás, eles foram castrar hoje), vai pra boate 1 da manhã, faz supermercado e compra a Playboy (tá, eu odeio a Playboy, mas o mundo é cruel e a carne é fraca...), leva carro pra revisão e, pra não dizer que o casamento tá completo, a gente transa muuuuuuuuuuito. E como a gente é pop e sempre tem alguém metendo o bedelho nas nossas vidas, ainda temos uma anônima falando mal de mim no fotolog da Violeta. É mole?
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De resto, tudo ótimo. Violeta trabalha e eu arranjei o melhor trabalho de férias do universo - estou sendo paga para cantar em um coral, todos os dias, com um regente alemão, por duas semanas e meia. Tinha como ser melhor?

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9.1.07

História de ninar para lésbicas complicadas

Era uma vez uma menina que nunca havia se entregado para ninguém. Com medo de se machucar, ela havia se fechado em uma casca por toda a sua vida. Em vez de pessoas, ela amava os animais - estes não a machucariam. E essa proteção funcionou por muitos anos. Para efeitos práticos, vamos chamá-la de Vera.
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Era uma vez outra menina, que havia se entregado demais (essa será chamada, a partir de agora, de Olívia). Corroída, usada, desprezada, essa menina morria de medo de sofrer de novo. E se protegia escondendo todas as suas fraquezas para parecer forte e satisfeita com sua vida.
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Um dia essas duas meninas se apaixonaram. As proteções e os orgulhos de início não atrapalharam. Tudo ia muito bem, cada uma pensando que estava mantendo o controle da situação. (Aliás, a necessidade de controle dessas duas era muito grande.) Até que um dia elas brigaram.
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Olívia, ao conhecer o imenso mundo dentro de Vera, se assustou. Ela não conseguiu esconder suas fraquezas, seu desconhecimento, seu estranhamento. Sentindo-se pequena e ignorante, repeliu Vera por medo de que ela a achasse desinteressante e burra e desejasse se afastar de vez.
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Vera, vendo-se finalmente despida de suas proteções, se percebeu vulnerável e desvalorizada. Sentiu como se seu mundo fosse desimportante para a outra, e ficou diminuída, triste, incrédula. Com medo de Olívia achá-la chata e desestimulante, fechou-se de novo em sua casca com toda sua mágoa e angústia pela expectativa de ser descartada. E, assim, as duas esperaram o término.
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Decidida a não sofrer de novo, Olívia (que já havia chorado, e gritado, e quase batido o carro) falou que não via motivos para as duas ficarem juntas. Vera, que sempre havia sido inabalável, chorou. Elas brigaram, gritaram, choraram e descontaram todos os medos e expectativas uma em cima da outra. Nessa noite, o namoro quase acabou.
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Depois que todas as emoções surgiram e foram embora, o que ficou foi a sinceridade. Tudo aquilo tinha acontecido, na verdade, pelos medos e orgulhos das duas. Envergonhadas, mas ainda machucadas, elas decidiram passar por cima daquilo. Vera foi para a casa de Olívia de madrugada. Elas se beijaram, declararam seu amor uma pela outra e dormiram juntas. E acordaram juntas no outro dia, e no outro, e no outro, e no outro, e no outro, e no outro, e...
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* Os nomes foram trocados para preservar a identidade das pessoas envolvidas na história.

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7.1.07

Os mitos e suas influências no mundo moderno

Há milênios o homem constrói mitos. Explicações para fenômenos da natureza, surgimento da vida, a morte. Muitos mitos continuam visíveis no nosso dia-a-dia; alguns como fábulas para crianças (por exemplo, a cegonha que traz os bebês), alguns como verdades absolutas para adultos (vide livros religiosos). A importância dos mitos é indiscutível: eles ajudam a delinear códigos de conduta, papéis individuais, costumes e rituais de uma sociedade. Por tamanha relevância, é válido questionar: qual o lugar da mulher nos mitos?
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Vamos voltar à primeira frase: "há milênios o homem constrói mitos". O homem, ser masculino. Foi um ser masculino que roubou o fogo de Zeus para com ele presentear a humanidade; foi a mulher, Pandora, que curiosa e volúvel abriu a caixa que disseminaria todos os males que iriam se tornar humanos. Foi Adão que, criado à imagem e semelhança de Deus, nomeou todos os seres vivos; foi Eva que, ao comer a maçã em sua desobediência lasciva, selou a expulsão do casal do Paraíso.
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Em muitos outros mitos encontramos a figura da mulher passiva e complacente, à espera de seu príncipe encantado. Cinderela, Rapunzel, Bela Adormecida... podem não ser mitos do peso dos mitos gregos e judaico-cristãos, mas são influências inquestionáveis no desenvolvimento de qualquer garota em nossa cultura.
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Crescemos em um mundo bombardeado por mitos que nos ensinam no que é ser mulher. A Barbie nos traz o ideal da "nova mulher do sec. XXI": bem-sucedida em seu emprego, na moda, casada, talvez com filhos e, de preferência, de cabelo liso e loiro. Para sempre feminina, conciliadora, seduzindo e enganando os homens. Será esse o papel da mulher - algo entre a mulher que espera o príncipe encantado e a que carrega a culpa pelos males do mundo? Teria a Cinderela imaginado que seria forçada a fazer jornada dupla?
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Faz-se necessário questionar essas imagens e avaliar se elas são compatíveis com a nossa realidade. Cabe a nós reproduzir ou reciclar os mitos para que se adaptem ao que nós desejamos para o futuro. Quem sabe um dia as jovens mulheres poderão espelhar-se em mitos de mulheres fortes e guerreiras que desbravam seus caminhos sem precisar do príncipe encantado.



(Minha redação de vestibular, ontem)

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5.1.07

Coração de mãe

Quando a mãe da Violeta ouviu pela primeira vez de sua filha que ela gostava de mulheres, um pensamento pairou em sua cabeça: "Puuutz, ela vai sofrer muito!"
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Esse pensamento vai e volta, e imagino que muitas outras mães fiquem com o coração apertado por suas filhas (tá, vamos excluir aquelas mães que só pensam no próprio sofrimento). "A sociedade é cruel", "ela vai ser xingada na rua", "ela vai sofrer discriminação de todos os lados"... É, não é mole não. Em um país onde a cada dois dias um homossexual é assassinado, essas mães realmente têm por que se preocupar.
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Eu, como lésbica assumida e como a questionadora, chata e cri-cri que sou, parei para pensar sobre isso. "A sociedade é cruel", é verdade. Já recebi olhares feios, já ouvi cantadas, já ouvi xingamentos, já fui maltratada e até bem-tratada demais. Mas o que me abalou de verdade foram o amor e a amizade, não o ódio.
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Eu sei, eu sei, isso foi piegas, mas eu não consigo explicar de forma melhor. O cara te xinga na rua? Você xinga de volta. Os machos passam de carro te olhando como se você fosse um suculento pedaço de carne? Você dá o dedo para eles, ou chuta o carro, sei lá. Dá raiva, deixa a gente indignada, mas passa.
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O que fere mesmo são as pessoas de perto. Os amigos, os amores. Pessoas que nos conhecem, em que nós confiamos, que (querendo ou não) criamos expectativas. Convivemos, fazemos planos, choramos as mágoas. Somos nós mesmas. E que, um belo dia, dizem: "me senti incomodada com você e sua namorada." "Vocês não podiam ser mais discretas?" "Eu não quero ser vista com você porque não quero que as pessoas falem da minha vida." "Me senti desrespeitada por você parecer lésbica na frente de meus novos amigos". "Você não entende como é difícil ser enrustida." Ah, pois eu entendo. Nós duas entendemos. E tudo que nós queríamos, quando estávamos no armário, era que alguém tratasse a homoafetividade como algo comum, normal. Depois de tudo que ouvi, começo a achar que éramos as únicas que pensávamos assim.
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Hoje eu tenho certeza de que o que machuca mesmo, o que nos fere, são as pessoas que amamos. As que nos odeiam e nos agridem gratuitamente são facilmente esquecidas. As pessoas a quem nós nos entregamos, bem... essas deixam marcas que não saem tão cedo. E é por essas, apenas, que eu concordo com as mães mais angustiadas - sim, nós vamos sofrer muito. Mas olha, eu digo por mim: eu não trocaria essa vida por nada.

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2.1.07

Surpresa no caminho do trabalho

Saímos de casa hoje atrasadíssimas para o trabalho da Violeta. Quer dizer, ela estava atrasada, pois eu estava só de motorista. Entramos no carro e, prontas para correr para o trabalho, eu ouço a Violeta falar um "espera aí!" enquanto saía do carro. "Espera aí? Mas tu já estás atrasada!", eu pensei. Ela deu a volta no carro e parou em frente a ele, perto dos limpadores de pára-brisa. Pegou cuidadosamente uma folha seca na mão e me mostrou. "Olha só!", ela disse, me mostrando a mão. Olhei mais atentamente: um passarinho!
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Que coisinha mais pequena! "Deve ter caído do ninho tentando voar", imaginamos. Ficamos olhando para cima, para a árvore que emprestava sua sombra para o carro. Onde estaria o ninho? Com uma árvore daquele tamanho, seria impossível achá-lo. "O que a gente faz com ele?"
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Levamos o passarinho. Seria um filhotinho de pardal? Violeta dirigiu e eu segurei o passarinho, que se aquietou em uma mão minha quase fechada, e olha que minha mão é das menores que já vi. Fomos a uma loja de produtos para aves, conversamos com o dono. "A gente leva o que pra ele? Alpiste?" Ele nos instruiu a comprar a papinha para bebês-passarinhos. Eu nunca pensei que pardaizinhos comessem papinha! "Parece uma rolinha", o dono disse. Ok, ok, uma rolinha então.
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Voltamos ao carro e, dessa vez, voamos para o trabalho. Atrasamos mais 20 minutos só nessa brincadeira. Colocamos a rolinha dentro de uma caixa de chocolates vazia que por acaso estava no carro e decidimos que a Violeta cuidaria dela essa noite. "Vou passar a noite no trabalho mesmo, é bom que eu cuido de alguma coisa". "Tu arranjas jornal pra forrar a caixinha lá?", perguntei. Ela disse que sim.
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Chegamos ao trabalho com meia hora de atraso. Violeta entrou toda sorridente com o passarinho escondido na caixinha de chocolate. "Quando ele crescer e estiver forte o sucifiente para voar, a gente solta ele", ela havia sugerido no caminho. Concordei.
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Voltei para casa toda feliz. Lembrei da cara de alegria da Violeta ao entrar no trabalho com aquela caixinha de chocolate - sem chocolate algum - nas mãos. Morri de orgulho da minha (quase) veterinária. E percebi que é nessas horas que eu vejo que estou namorando a garota certa.

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31.12.06

Recordações para a noite de ano-novo

Acho que nunca tivemos uma noite tão boa. Foi tão gostoso, tão bom... acho que nunca dormimos juntas tão bem. Aliás, quando dormimos? Eu lembro de estar falando qualquer coisa, tu não responderes, eu deixar meus olhos se fecharem e, assim, eu dormi. Tanta paz.
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E quanto carinho... eu lembro da primeira vez que me tocaste, quando a barreira do contato físico foi quebrada. Setembro do ano passado? Eu lembro até hoje do teu cafuné, eu no banco da frente do carro, tu atrás, fazendo carinho perto do meu cabelo. Era tão bom, e eu não costumava me sentir tão querida e protegida. Contigo eu me senti. Eu queria aquele carinho para sempre, e tu continuavas lá... eu estava tão acostumada a ter pouco carinho que eu só pensava, por favor, não pára, isso me faz tão bem. E tu continuavas, como se não te cansasse, como se não fosse um sacrifício, como se fosse natural. E isso era novo para mim.
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Eu também lembro da primeira vez que morri de tesão por ti. É até ridículo, estávamos chorando as mágoas de outros amores, e quando eu percebi eu queria estar em cima de ti. Tu tinhas um jeito de me pegar que era firme, me puxando pra ti, com algum fundo de desespero, uma vontade louca de beijar. Eu puxava teu cabelo e tu fechavas os olhos, tentando esconder aquela explosão de sensações. Nada podia ser feito, ninguém deveria perceber - estávamos apenas vendo um filme, tu deitada no meu colo, na casa de uma amiga. Tu me apertavas e meu coração disparava, uma competição pra ver quem fazia a outra ter mais tesão. E hoje eu sei que aquilo era novo para ti.
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Desde aquele dia, eu repetia que minha próxima namorada seria uma garota assumida. Eu e tu fizemos uma promessa, "de agora em diante, só meninas assumidas!" Tu pensavas que, a partir daquele momento, eu te veria como uma opção. Eu falava aquilo para que soubesses que era de ti, e apenas de ti, que eu estava falando. E ontem eu admiti isso.
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Ontem eu me senti querida, protegida, desejada, amada. Completa, e apaixonada. Hoje acordei leve, contente, pensando em como eu gosto de ti. Em como eu te quero bem. Pensei que estamos fazendo a coisa certa indo morar juntas, e pensei no tanto que eu queria que essa noite se repetisse muitas, muitas e muitas vezes.
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Em homenagem à nossa época de amizade (que tu dizes que não existiu, pois sempre nos tratamos como namoradas), te desejo um ótimo 2007, xuxuh. Espero que seja um ano de muitas conquistas, de realizações, de estabilidade e de construções de novos sonhos. E espero, de todo meu coração e de toda a minha alma, te acompanhar em tudo que vier pela frente. Te amo.

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28.12.06

Santas e putas

Vou aproveitar que o blog é anônimo e vou contar uma história próxima de mim. Um conhecida minha tem uma filha que está na 5ª série. Nesse fim de ano, a mãe foi chamada à escola da menina. Lá, a mãe ficou sabendo que sua filha estava sendo acusada de ter "pagado um boquete" para alguns meninos de sua sala. Os meninos contaram para suas mães que, indignadas, foram até a escola exigindo uma postura da diretoria. A menina jura de pés juntos que não fez nada, e algumas amigas dela confirmaram seu álibi. Não adiantou muito: a garota foi expulsa da escola.
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Não sei se a menina fez ou não. Apenas acho estranho que esses meninos tenham contado para suas mães, afinal, se isso realmente aconteceu, não acho que qualquer garoto falaria para a mãe - seria mais provável que eles contassem vantagem entre os amigos, ou coisa do gênero. Pode ser uma história inventada, até porque as amigas da garota falaram que estavam com ela o dia inteiro. Pode ser verdade.
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No fim das contas, não importa se aconteceu ou não. A menina foi expulsa, e eu não entendi até agora por que só ela foi punida. Os meninos não fizeram também? Não é preciso duas pessoas para que exista um boquete? Eles não são tão culpados quanto ela?
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É nítido que, para a diretoria, os meninos foram as vítimas. Se uma garota paga um boquete para um menino, é porque ela é uma puta, uma vadia. A culpa sempre vai ser dela. A mulher sempre vai carregar o estigma da Eva que comeu o fruto proibido. Ela sempre vai ser o lado mais próximo ao Diabo e à tentação, a contraposição ao homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus. Sempre vamos ser divididas (pelos homens e por nós mesmas) entre as santas e as putas, as "mulheres pra casar" e as "mulheres para foder". Se você for boazinha, se casará na Igreja com um bom homem que te trará dinheiro e te trairá com uma puta. Pobre menina de 5ª série, que recebeu tão cedo o seu carimbo de puta.

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26.12.06

Não, eu não sou discreta.

Eu não sou discreta. E não quero ser. Sou feliz assim, com um "gay" escrito na testa. Namorando no shopping, comprando presentes de Natal com a namorada. Passando o Natal com a família da namorada. Andando de mãos dadas. Me sinto normal assim. Por que deveria ser diferente? Homens beijam mulheres em público. Eu também quero beijar a minha.
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Logo que minha mãe me assumiu para tios e tias, ela ouviu uma enxurrada de "fale para a Orquídea ser discreta, afinal, o mundo é cruel!". Mais cruel, para mim, é perder minha vida me escondendo. Escondendo o que sou para o mundo. Escondendo a verdade de mim mesma.
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O Amor deve ser celebrado, dignificado. Não oculto e vergonhoso. Eu amo, assim como tantos outros amam, e beijam, abraçam, trocam carinhos. Eu também quero trocar carinhos. Por que isso me é negado?
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Desconsiderei os apelos de meus tios. Se é para sofrer com o preconceito, prefiro que ele seja esfregado na minha cara. Não agüentaria a sensação de sufocamento ao saber que todos presumem, falam mal pelas costas, riem de mim, sentem pena do meu "desvio". Eu não tenho um desvio. Eu estou bem desse jeito, e quero que todos saibam disso.
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Lésbica? Sim, eu sou. A única da família, mas isso não me deixa tímida. Isso me dá coragem para vestir a roupa de "diferente", "sapatão", "esquisita", o que mais quiserem. Desde que saibam. Desde que eu diga, na cara deles, que essa é a vida que eu escolhi para mim, e eu a amo. Não a trocaria por nada, nem por um homem, nem por um casamento, nem por aceitação social. Eu adoro o mundo gay. Eu adoro amar outra mulher. Eu adoro me sentir livre de padrões heterossexuais. Eu adoro as baladas gays. (os héteros são normais e chatos, pra mim. entediantes.) Eu adoro a bandeira do arco-íris.
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Eu gosto da subversão, do inverso, do inusitado. Quero quebrar as correntes que me prendem num gênero único e certinho: "você é mulher, usa salto, gosta de cor-de-rosa, sonha em casar de branco e ter filhos loirinhos". Eu quero gritar a todos que eu existo, assim como tantas outras, e que nós somos felizes assim. Que nós somos normais. Para que um dia não exista mais armário nem militantes, apenas igualdade e respeito.
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Mas isso não acontecerá se formos todos discretos. Invisíveis. Inexistentes. A sociedade nunca mudará se nós continuarmos escondidos, marginalizados, desconsiderados. Seremos sempre a minoria negada, facilmente jogada para debaixo do tapete. Apagados dos livros de história.
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Quero aparecer, quero mostrar que existo, e quero dar a cara à tapa: quem tiver algum problema comigo que fale na minha frente, pois eu assumo o que sou para você. Por que isso te incomoda? Não vou ser discreta. Quero abalar as estruturas. Quero derrubar os preconceitos. Quero que as pessoas se sintam incomodadas, afinal, quem sabe assim elas olham para além de seus próprios umbigos. Quero uma revolução. Não vou me esconder.
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E quem tiver essa flama acesa dentro de si, tome a dianteira também. Vá para a linha de frente, alguém tem que fazer esse papel. Assuma. Lute contra seus próprios medos e preconceitos, eles nos matam mais que os externos. Seja você. Contagie outros a sua volta. Liberte-se. Vamos mostrar ao mundo a que viemos - e não, eu não vim ao mundo a passeio, nem para jogar minha vida no lixo enquanto outros aproveitam as suas. Quero amar, ser amada, ser respeitada, ser normal. E para isso faço minha parte. Você já pensou em como pode fazer a sua?

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22.12.06

Violência contra a mulher

Alguns depoimentos:
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"Já com 14 anos, (ano passado) eu estava indo pra um show que tem aqui em Santos, com um grupo de meninas, eu e minha amiga, esbarramos em uns garotos, que estava vindo em sentido ao contrario ao da gente, e eles aproveitaram esse esbarram e passarão a mão na nossa vagina. Não sei o que minha amiga pensou mas não falou nada. E eu muito envergonhada, tive a coragem de os xingarem só."
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"Eu tinha 16 anos quando apanhei de um cara que vi duas vezes e mal sabia quem era. Sua namorada era minha amiga, mas mesmo assim ele não gostou de termos saído juntas. Apanhei na rua enquanto muita gente olhava mas ninguém fazia nada, e quando a ficha caiu e eu finalmente consegui reagir, todos me seguraram. Lógico, onde já se viu mulher reagir enquanto apanha? "Mulher que é mulher tem que apanhar calada! Não separe, ele deve ter seus motivos... O quêêê, ela é sapatão? Então bate mais, meu filho, pra ver se cura!"
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"Lembro que tinha uns 7 anos e era humilhada na escola por ser gordinha e por isso muito sozinha. Um belo dia esse velho me pediu para ficar de pé e encostar na parede, sem entender o porque eu fiz, ele abaixou o meu short e começoe a apassar a mão em mim. Não estava entendendo e achei que se saisse meu pai brigaria, já que eram muito amigos. Isso continuou a contecendo, toda semana, até o dia em que meu pai vendeu o mercado e eu nunca mais vi o velho."
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"Foi meu marido quem me agrediu. Pensei que teriámos uma relação agradável mas fui surpreendida com uma enorme brutalidade.Tive a sensação de que ele estava descarregando todo o seu ódio em mim, foi muito ruim. Nem os meus gemidos de dor e minhas lágrimas foram capazes de tocar o coração dele. Terminado o serviço ele dormiu como se tivesse sido bom para mim também. Hoje estou com medo de que ele me toque novamente, não quero ser submetida áquela situação novamente. (...) Não sei se é físico ou psíquico mas ainda sinto dores no meu ventre, e já faz uma semana.Estou enviando está história para que outras mulheres saibam que não só são as Marias da vida que são vítimas de homens covardes, eu que sou advogada tenho muito medo de falar sobre isso."
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Todos os dias mulheres são violentadas das mais variadas formas. Todos os dias mulheres são silenciadas, seja por vergonha, por medo, por violência física, por se sentirem culpadas ou por tantas outras razões. Todas nós somos, em maior ou menor grau, vítimas de uma violência invisível.
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Está na hora de tornar essa violência visível. Precisamos mudar essa realidade.

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19.12.06

Natal está chegando...

... e o que você fez pelos outros esse ano?

Tá, eu sei, essas 'reflexões-de-fim-de-ano' são um saco. Não vou falar de 'espírito natalino', nem de 'compaixão' ou 'solidariedade' (essas palavras sempre me parecem 'vamos ter pena de quem tem menos que nós'). O que vou falar aqui é de humanização.

Estamos tão acostumadas ao mundo do jeito que tá que tudo é 'normal'. Tem gente passando fome? Que droga. Pessoas morando nas ruas? É triste, mas é só virar o rosto ao passar de carro por elas. Para onde olhamos há desigualdade, mas 'é assim mesmo', 'fazer o quê?' Afinal, 'não fui eu quem criou o mundo'.

O que falta, na minha opinião, é humanizar as pessoas. É fazer com que todos percebam que não, não é normal. O mundo tá errado, tá fudido, e as pessoas que têm menos não devem ser menos por isso. Aliás, é preciso que olhemos todas as pessoas como pessoas, e não como 'coisas'. Pessoas que sentem, que vivem, que sofrem, que deveriam ter acesso às mesmas coisas que nós - mas não têm. Gente que não tem comida, não tem abrigo, não tem lazer, não tem cultura, não tem direitos.

Claro, não podemos mudar o mundo sozinhas. Mas podemos começar por algum lado. Que tal doar algumas roupas que estão paradas no guarda-roupa para alguma instituição? Ou dar brinquedos para a ala pediátrica de um hospital? Adotar um bichinho de rua, em vez de comprar um bicho de raça. Parar de comer carne (essa eu não consigo, mas se alguém se identificar, é uma ótima maneira de começar). Ajudar a organizar a biblioteca de sua escola. Adotar uma carta (para quem não entendeu, é só clicar aqui). Fazer um mutirão para limpar a área de lazer de seu bairro. Doar sangue. Parar de consumir produtos de marcas que testam em animais (veja a lista aqui). Sair do armário. Descobrir se há coleta seletiva em sua cidade e, em caso afirmativo, separar o lixo. Não rir de piadas machistas e homofóbicas. Reclamar ao comprar produtos com defeito. Acompanhar o que anda fazendo o político em quem você votou (os mandatos começam agora em janeiro, é uma boa hora para começar a fazer isso). Se disponibilizar para gravar livros em CDs para que cegos possam ouvi-los. Participar de campanhas contra o preconceito (muitas vezes, não é preciso nem mostrar a cara). Tomar alguma atitude.

Muita coisa pode ser feita. O que você vai fazer ano que vem?

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18.12.06

Pausa

Pausa na vida virtual para um fim-de-semana de muito carinho e amor reais.

(Isso foi brega, mas foi sincero.)

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12.12.06

Mais sobre o apartamento

Ontem fomos a uma loja de tintas escolher as cores que estarão em algumas paredes do quarto e da sala do novo apartamento. A gente já tinha meio que escolhido que cores seriam, então ontem foi só decidir entre certos tipos de roxo e de vermelho. Trouxemos para casa dois potinhos de 800 ml, o menor tamanho, para testar nas paredes e ver se as cores vão ser essas.
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Hoje é dia de pegar o contrato do apartamento e ver com atenção os últimos detalhes para devolvê-lo amanhã e receber as chaves. Depois de pegar o bendito contrato, devemos passear na Tok & Stok para ver coisinhas coloridas. Há anos eu passeio por lá mobiliando uma casa imaginária - e agora vou ter uma de verdade. Tão gostoso virar gente grande!
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xxx
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Ontem também foi dia de a Violeta experimentar óculos novos. Pela primeira vez eu vi uma menina que descarta armações por serem "muito femininas". Como ela diria, na cara do vendedor: "Eu trabalho meu visual há anos para ele ser andrógino, não vou estragar tudo com óculos de menina!"
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Ok, ok, ela tem razão. Mas eu admito que esse namoro me faz pensar e repensar minhas noções de gênero todos os dias...

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